Paqueras.
Há
pelo menos duas semanas atrás eu viajei com um grupo de amigos para um
Congresso, e até aí não tem novidade alguma. Acontece que nesses congressos, a
paquera rola solta e, não que eu seja um garanhão ou qualquer coisa do tipo,
afinal não sou, mas paquerei algumas vezes e outras, fui paquerado.
Das
paqueras que recebi, não estava interessado em tantas. Acho até que me
comportei neste; provavelmente pelo foco inicial, de curtir a viagem.
Entretanto, uma me chamou atenção...
Estava
eu na Praia de Casa Caiada, sexta-feira, show do Alceu Valença,
quando eu olho para trás. Um misto de batucadas no coração, vertigem mental e visão
desprivilegiada pela miopia (mas que não impossibilitou de ver tamanha
formosura) se apoderou de mim.
Primeiro começou com olhares tímidos, embora
dançássemos há alguns passos um do outro. A frequência dos tais aumentou e,
assim, passamos a sorrisinhos – também tímidos – enquanto do outro lado havia
comentários com a amiga e mais sorrisinhos com olhares em minha direção. Não pude
deixar de notar a sua aura iluminada e dançante, tal qual como a minha estava.
Decidi dar uma volta e logo voltei, mas claro
que estava mais próximo do meu alvo. Os meus amigos notaram o meu afastamento e
começaram a me chamar para perto deles; inventei uma desculpa e logo eles
aproximaram-se do local onde eu estava. Tomei uma posição em que me pusesse à
sua frente, quando notei seus familiares por perto. Não tive certeza, mas era o
mais óbvio.
Paqueramos o show inteiro, mas não tive
iniciativa, não tive postura e muito menos dignidade. Alceu Valença deixou o
palco, minha paquera deixou a praia com sua família e tudo o que eu recebi de
todo o investimento visual, bucal e sentimental, foi um toque da sua mão em
minhas mãos.
Nos perdemos de vista; não sei se foi embora ou
se foi a outro local. Só tenho certeza de uma coisa. Se a sexta-feira supracitada
fosse amanhã, então não perderia o meu tempo e algo eu faria, mas...
Amanhã é sexta-feira, só que infelizmente terei
que conviver com o que poderia ter sido – e não foi.


