Quão doce era
poder andar com ele, sentir a corrente de ar gélido em seu rosto a ponto de lhe
parecer o retorno da adolescência, traduzindo a lividez de situações atuais
consternadas em uma pluralidade de cores quentes que lhe ateavam as maçãs do
rosto.
Há muito havia
perdido o desejo por novas sensações, visto a cadeia de preceitos plangentes
lhe atribuídos em tão alta velocidade que já nem sentia o peso da sua ausência.
A vida assimilava-se ao ontem não vivido, que além das frustrações
desencadeadas, reavivava ainda mais o sentimento de impotência acerca do futuro
que a seu ver era imutável.
Ele, por fim,
chegou. Decorrente de tão abismo interno e despedaçado coração. A rejeição, a
desmotivação por viver e escassez de altruísmo conduziram ao extremo estado de
melancolia, tornando dias ensolarados em noites escuras, impiedosas e álgidas. Finalmente,
após meses em trevas, ele surge com a luz que faltava. Traz a esperança em um
filete de claridade, que após dias em batalha interna e externa transformava a
vulnerabilidade em intrepidez em face das amargas desilusões.
O lampejo fez-se
despertador e o trouxe enfim, o amor próprio.




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